segunda-feira, janeiro 24, 2011

Não foi um grande dia para a República


Manuel Alegre, o meu candidato, perdeu!
Cavaco Silva ganhou, mas perdeu 500 mil votos em relação à anterior eleição.
É a primeira vez desde o 25 de Abril que um Presidente que se recandidata, em vez de alargar, diminui a sua base social de apoio. Cavaco Silva é, pois, como muitos diziam e outros teimavam em contrariar, uma personalidade política que não é consensual na sociedade portuguesa, não une os portugueses, nem sequer depois de ter exercido o cargo de Presidente da República durante cinco anos.
E isso não deixará, inapelavelmente, de ser tido em conta neste segundo mandato.
Ainda por cima, Cavaco ganhou, mas mostrou azedume. Revelou que, apesar dos sorrisos rasgados da noite, não estava nada à espera deste resultado, tentando fortalecê-lo pela desvalorização do valor do debate democrático, ao mesmo tempo que teceu insinuações patéticas a desconhecidos e apontou críticas indignas aos seus adversários, procurando que assim nos esqueçamos da margem de manobra que este resultado, indubitavelmente, lhe retira. Mas nós não nos esquecemos.

Têm, pois,  razão os portugueses para não gostar dele, para além do estreito limite de 52% dos votos expressos. Razões que se prendem com tudo aquilo que conhecemos e que ficou, mais uma vez, bem patente no discurso de vitória de hoje. Uma vergonha!

O discurso de ataque e ofensa que fez aos candidatos derrotados é totalmente inaceitável e indigno. Cavaco Silva nem sequer se deu ao respeito, após a vitória.

No dia 9 de Março lá estarei na Assembleia da República a aplaudir, de pé se necessário, a tomada de posse do novo Presidente da República. Pela República. Apenas! 


João Paulo Pedrosa