sábado, junho 16, 2007

Hoje, para os nossos autarcas de freguesia



João Paulo Pedrosa

Ditosa Pátria - Júlia Ferreira (22)

Era uma velha peixeira minha conhecida que, depois da venda pelos “casais”, chegava a casa e ainda cansada pela correria da manhã, olhava para o saco do dinheiro e dizia:
“Pois é, se eu não tivesse que pagar o peixe isto era tudo lucro”.
Lembrei-me desta estória a propósito da notícia, muito propalada esta semana, de um estudo sobre a localização do novo aeroporto que, parece, ninguém sabe quem pagou. A Júlia Ferreira tinha gostado de saber disto!
De facto, os “falcões” da indústria, com o desembaraço com que modernizam as suas empresas, com a consciência com que pagam salários decentes e com a competência que sempre revelam em associar a sua actividade empresarial de risco aos incontornáveis incómodos da manjedoura do Estado, decidiram fazer um estudo sobre o Novo Aeroporto de Lisboa.
O Estado português, por seu lado, andou anos e anos a estudar uma localização, socorrendo-se, para isso, do auxílio e da competência dos melhores técnicos e das melhores instituições; durante este período, ainda, grupos de cidadãos, corporações profissionais, ambientalistas e profissionais de aviação e aeronáutica pronunciaram-se sobre as suas opções e, por fim, o governo, como lhe competia, decidiu. Esta decisão foi, sucessivamente, ratificada por três governos distintos e de diferentes cores políticas. Agora, aparece a nata qualificada do empresariado a dizer que, em menos de três meses, elaborou um estudo do qual resultou uma solução milagrosa, barata, sem impactos negativos, sem ruído e com certeza com muito petróleo, ao menos assim, ainda podia ser que um dia se tornassem competitivos internacionalmente. Balelas. O que estes senhores se limitaram a fazer foi a anunciar a total falência do Estado. Ainda estou para ver onde é que eles depois iam buscar os subsídios.


João Paulo Pedrosa

Ditosa Pátria - Novas Oportunidades (21)

Nos anos 90 milhares de jovens, cerca de trezentos mil, entraram no mercado de trabalho sem qualificações. Nessa altura, tal como hoje, mais de 40% dos alunos abandona a escola sem concluir o ensino secundário. Esta é uma das razões do atraso do nosso país e da fraca capacidade para gerar mais riqueza. Países como a Finlândia e a Irlanda tinham, há vinte anos, problemas semelhantes que resolveram a tempo e hoje são dois dos países com maior desenvolvimento na Europa.
Para tentar inverter esta situação, foi recentemente criado o programa Novas Oportunidades que visa duas coisas: Elevar o número de cursos profissionalizantes no ensino secundário até atingir metade do total das suas vagas e desenvolver um processo de reconhecimento e validação de competências destinado a adultos que, ao longo da vida, adquiriram conhecimentos e não têm o devido diploma escolar.
Ainda há hoje, felizmente, muitos trabalhadores especializados em diversas áreas, da indústria ao comércio, passando pelos serviços, que desenvolveram competência profissionais sem o correspondente diploma escolar. Quem não conhece comerciantes, electricistas, mecânicos que exercem bem a sua profissão e que não vão até mais longe no seu desempenho por ausência de correspondentes qualificações escolares?
Por isso, permitindo que as pessoas possam continuar a valorizar-se profissionalmente, aumentar os seus níveis de conhecimento e também para elevar o seu estatuto social, se criou este programa. Agora, um cidadão com conhecimentos e competências adquiridas na sua actividade profissional pode, através de um mecanismo de formação e aperfeiçoamento dessas competências, completar o 9º ano de escolaridade. É uma medida justa, útil e necessária quer para os cidadãos, quer para o país.


João Paulo Pedrosa