domingo, fevereiro 26, 2006

Sem novidade, um hábito de campeões (II)







João Paulo Pedrosa

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Informação do vereador da Acção Social


Terminadas as obras, começou a funcionar há dois dias o Centro de Atendimento para Toxicodependentes da Marinha Grande. Segundo informação que consegui reunir junto do seu director, em apenas dois dias, já iniciaram tratamento com metadona mais de trinta toxicodependentes. É de salientar ainda que, destes trinta utentes, nenhum deles tinha iniciado anteriormente qualquer tratamento ou frequentado qualquer consulta, vieram directamente e com vontade de se tratar. Um bom começo, sem dúvida.



João Paulo Pedrosa

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O Benfica e a guerra colonial



Excerto de uma entrevista de António Lobo Antunes à revista Visão, onde, às tantas, se evoca a guerra do Ultramar, em Angola, em que o Autor tomou parte:
[...]V: Ainda sonha com a guerra?
ALA: (...) Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que, agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.
V: Parava a guerra?
ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?
V: Não vou pôr isso na entrevista...
ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?[…]
(entrevista gentilmente cedida por João Cúcio do De Vagares)



João Paulo Pedrosa

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Sem novidade, um hábito de campeões


João Paulo Pedrosa

domingo, fevereiro 19, 2006

O mar de S Pedro visto pelo Bruno Monteiro



João Paulo Pedrosa

Já levantam a cabeça




João Paulo Pedrosa

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Quem sabe nunca esquece

Fernando Gaio, activo comunista dos tempos do PREC, faz um ultimato ao presidente da câmara, a propósito do LeClerc no campo do marinhense:

"O senhor presidente da câmara não tem que ser convencido (da bondade do projecto) tem é que defender os interesses do concelho".



João Paulo Pedrosa

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

post it (10) Má ou Mé - Tolerância Zero

As consequências ainda são imprevisiveis. Sem fim à vista, a violência (física e verbal) repete-se, a discussão já vai longa e a lista de mortes também, embora ninguém pareça dar muita relevância a isso. Em toda esta história só me sobram três certezas (tudo o resto são dúvidas e muita angústia):
- a óbvia manipulação e aproveitamento politico-ideológico-religioso pelos despotas do Oriente e do Ocidente;
- ao contrário da fitas de Hollywood, nesta não há protagonistas bons nem maus, são todos francamente maus;
- o único valor que por si só considero como absoluto, é a vida, todos os outros são “meros” instrumentos que devem contribuir para dignificar em plenitude a existência humana;
A intolerância gera intolerância e a violência, invariavelmente violência. A escalada está à vista. Cada um esgrima as suas razões e afinal de contas a razão absoluta ninguém a tem. A aparente liberdade Ocidental gera uma superioridade intelectual e cultural que incomoda, e o fundamentalismo de lideres religiosos e políticos do Oriente contamina e atiça povos há muito subjugados.
E uma vida ? Quanto vale? No Ocidente, menos do que uma acção de uma qualquer multinacional cotada em bolsa. No Oriente, seguramente menos do que um detonador para despoltar bombas assassinas. Em África, nada. Absolutamente nada.
É por tudo isto que é urgente uma nova ordem mundial, sob pena de vermos a humanidade implodir. Uma nova ordem fundamentada no direito da vida e na sua dignificação. Uma nova ordem que promova uma melhor distribuição da riqueza e que nos permita a todos (sem excepção) viver em liberdade. Uma ordem que defenda cada mulher e cada homem como um património único e de inestimável valor.
Mas será que ando distraído, ou estou a ver o problema do ponto de vista errado?
.
.
FG

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

País Relativo


a propósito do post anterior lembrei-me de uma poesia.


País por conhecer, por escrever, por ler...
*
País purista a prosear bonito,
a versajar tão chique e tão púdico,
enquanto a língua portuguesa se vai rindo,
galhofeira, comigo.
*
País que me pede livros andejantes
com o dedo, hirto, a correr as estantes
*
País engravatado todo o ano
e a assoar-se na gravata por engano
*
País onde qualquer palerma diz,
a afastar do busílis o nariz:
-Não, não é para mim este país!
Mas quem é que bàsquetica sem lavar
o sovaco que lhe dá o ar?
*
Entreicheiram-se, hostis, os mil narizes
que há neste país(...)

Alexandre O'Neill



João Paulo Pedrosa

Afinal até foi bem pensado !

O Ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, acaba de anunciar que é possível libertar 5 000 polícias que estão a desempenhar tarefas administrativas, colocando-os no patrulhamento de rua.
Ora, há seis meses atrás essa foi uma das promessas eleitorais do PS nas autárquicas da Marinha Grande. Recordo abaixo o diálogo que a esse respeito travei com alguns descrentes na proposta.
Disse eu à época:

A intervenção nas áreas da segurança não diz respeito às competências de actuação de uma câmara municipal, todavia, como isso diz respeito à qualidade de vida dos cidadãos (segurança de património e de pessoas) o presidente de câmara tem que actuar. Tenciono por isso, através de um conselho municipal de segurança, analisar com regularidade os problemas, propor soluções e modos de actuação que dêem mais eficácia ao trabalho policial. Também é minha intenção, caso seja eleito e se tal for aceite pelo MAI, libertar os polícias de tarefas administrativas (que seriam asseguradas, por exemplo, por pessoal nosso) libertando-os para o reforço do patrulhamento exterior.

Pergunta-me o Gana:

Não estará o Sr. Candidato confuso? "A Polícia de Segurança Pública, designada abreviadamente pela sigla PSP, é uma força de segurança com a natureza de serviço público dotado de autonomia administrativa, que tem por funções defender a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos do disposto na Constituição e na lei." ver www.mai.gov.pt Parece-me que a sua definição de segurança passa por subverter as leis...Será assim ? Elucide-me.

Respondo:

Não, não estou confuso. A questão é a seguinte: parece ridículo mas é verdade, nos quarteis da GNR a limpeza das instalações está a cargo dos praças, para libertar os agente da guarda para o seu serviço efectivo, muitas juntas de freguesia assumiram a responsabilidade pela limpeza das instalações; na PSP também há muitos polícias a arquivar papéis e a fazer ofícios, se for possível libertá-los destas funções para reforçar o patrulhamento urbano, eu entendo que devemos colaborar. Não creio que isto ponha em causa a segurança interna e os direitos dos cidadãos;



João Paulo Pedrosa

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Guerra das Imagens

A guerra dos Cartoons veio para durar...
O Presidente do Irão resolveu responder à letra ao Ocidente, e fê-lo, reconheçamos, de um modo inteligente, usando as armas do próprio inimigo. Porque se o Ocidente Livre defende a caricaturização de Maomé e do Povo Islâmico, porque não há-de o Islão caricaturar o que bem entender... dar-lhe o toque de um concurso artístico é verdadeiramente uma resposta irónica e no mínimo sarcástica... e os concorrentes já aparecem de todo o mundo... Desta feita o Ocidente defensor da Liberdade de Expressão Absoluta não se atreverá a criticar ou a condenar o Irão por mais um atentado à Dignidade do Povo Hebreu, cujo Holocausto o Presidente Iraniano tem recorrentemente banalizado, e que é tema para este Concurso. E não o fará porque o Irão não está a fazer nem mais nem menos, nem melhor nem pior, do que aquilo que o próprio Ocidente fez para com o Islão. Assim, só terá autoridade para condenar o Presidente Iraniano quem condenou primeiro o mesmo ocorrido na Dinamarca ou noutros países... (Sem dúvida que o nosso MNE - Diogo Freitas do Amaral - estará na linha da frente... e muito bem!)
Quando aparecerem essas condenações ao Irão, por parte do Ocidente Racional e Moral, consciente dos limites éticos que os próprios Direitos e Liberdades Individuais devem respeitar, vou estar atento e ver se aparecem por aí nas ruas, ou a escrever nos Jornais e nos Blogues, os defensores da Liberdade Absoluta, agora defendendo o Direito do Irão e do seu Pesidente a ridicularizar a História e um Povo (Hebreu), porque afinal... é um Direito e uma Liberdade Universal a Expressão... Ou será apenas para alguns?
Entretanto, esta guerra não vai ter um fim próximo...
À investida do Irão já respondeu um Jornal Alemão, caricaturando a Selecção de Futebol Iraniana, equipada e devidamente armada...
Que mais virá a seguir?

Nélson Araújo

Vergonha

é o que sinto pelas declarações do MNE Freitas do Amaral a propósito dos cartoons. Já quase tudo foi dito sobre o assunto, mas aquilo que mais me angustia é imaginar que um qualquer jornal de província, de Melgaço a Castro Marim, publica um conjunto de caricaturas que desencadeiam uma fúria generalizada e uma declaração de guerra, com ataques a embaixadas e consulados no estrangeiro, pondo em causa a Liberdade e o Estado e saber que não tenho a solidariedade e o apoio dos países da União Europeia.
É que para mim, mais importante que os fundos comunitários, que a união económica e monetária, na adesão ao projecto europeu, conta a comunidade de paz e de respeito pelos direitos do homem que a Europa representa há mais de 50 anos.



João Paulo Pedrosa

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

"santos diabos"

É curioso, como até do diabo se faz um santo!
Uns senhores, de gosto duvidoso, ousaram 'brincar' com a figura mais sagrada do Islão: Maomé. Vai daí, fizeram uns cartoons que publicaram num Jornal, de reputação ainda mais duvidosa... Escondidos ficaram três desenhos, agora já divulgados, que eram a obra-prima e o expoente máximo da ridicularização de uma Civilização, de um Povo, de uma Religião.
Invoque-se a Santa Liberdade de Expressão as vezes que quiserem, mas aquilo não passa de puro PRECONCEITO religioso, porquanto confunde a essência do Islamismo, que Maomé personifica, com os extremismos fundamentalistas de alguns Grupos que espalham o terror em nome do mesmo Profeta. Mas não é porque eles invocam em vão o 'santo nome de Deus' que seja Maomé o responsável dos seus actos. É uma infantilidade cultural e uma desonestidade intelectual este tipo de provocação dita artística... Mas, quando todos deveríamos reflectir sobre este tipo de comportamentos, eis que apenas se ouve falar e condenar os tais grupos fundamentalistas que expressaram a sua fúria pelo ataque moral a que foram sujeitos... O que se esperava? Não sabemos já que quem semeia ventos colhe tempestades? Mais, fala-se dos ditos cartoonistas, como se fossem os verdadeiros 'mártires' desta cruzada. Sem dúvida que estamos no bom caminho para construir uma Civilização Universal, alicerçada nos Direitos do Homem, entre os quais o Direito à Religião, e a que seja respeitada a identidade Religiosa de qualquer Povo!!
Não queiramos sonegar a verdade que se esconde para além do mero espéctáculo que nos querem oferecer... e essa verdade é que nesta história não há santos! Apenas o 'diabo em figura de gente'.
É tão condenável a violência, que em nome de Deus/Maomé, é levada a cabo pelos grupos fundamentalistas islâmicos, como é condenável um certo fundamentalismo ideológico que, em nome da Liberdade, não respeita o Sagrado existente em cada Cultura, em cada Civilização.
Entre uns e outros, venha o diabo e escolha...

Nélson Araújo

COMUNICADO - CONVITE

Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa.
Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão.
Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos.
Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre.
Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes".
Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito.
Pela liberdade de expressão, nos subscrevemos Rui Zink (916919331)Manuel João Ramos (919258585)Luísa Jacobetty...



João Paulo Pedrosa

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Largo das Calhandreiras

Não sei se este será o espaço apropriado para dizer o quer que seja sobre este assunto, mas há um impulso mais forte que a lógica que me leva a fazê-lo.
Depois de uma semana de ausência (em quase retiro!), regressado ao mundo, e à blogosfera, fazendo o percurso habitual pelos espaços da nossa Praça eis que deparo com o anúncio do encerramento de um dos mais caricatos, entusiasmantes, divertidos, mas nem por isso menos sério, Blogues da Marinha Grande que eu tenho acompanhado: o Largo das Calhandreiras (LC) Eles apareceram por aí em força, depois das últimas eleições autárquicas, mas o LC era em tudo especial. Só lhe encontro paralelo na Contra Informação que todos deliramos a ver na televisão pública. Eu próprio, caricaturizado nesse Blogue, fui 'vítima' da sua ironia e do seu sarcasmo. Mas nunca me senti ofendido. Pelo contrário. Sempre tive oportunidade de responder, esclarecer, debater naquele espaço as ideias que me são próprias...
Lamento a perda, na blogosfera, deste espaço. Os seus autores merecem o nosso melhor respeito e maior admiração pelo talento, muito mais pela ousadia de serem assistémicos (fora do sistema!).
Deixa-me a pensar esta saíde de cena do LC. Não tendo sido cabalmente explicada a motivação desta saída, no Post Final, fica no ar a suspeita de uma certa 'perseguição'... Terão sido descobertos os autores e posteriormente 'pressionados' por algum 'poder maior' a retirar-se? Os comentários a este desfecho denotam que há uma certa inclinação nos cibernautas para acreditar nesta teoria... Será mau sinal, se assim for.
Por mim, é já, só por si, mau sinal que o LC tenha fechado as suas portas... Sem dúvida que vou ter saudades do Cura Araújo!

Nélson Araújo

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

post it (9) Neve... ácida

A criançada estava delirante, o espectáculo que a mãe natureza nos oferecia tinha tanto de inesperado como de belo. Com os rostos colados à vidraça, contemplávamos a neve a cair em flocos brancos, silenciosa, como se as nuvens fossem máquinas de algodão doce.
O mais velho, com a curiosidade insaciável dos seus seis anos, perguntou: Pai, porque que é que está a nevar?
Porque está muito frio. E quando está muito frio em vez de chover, neva – respondi sem pensar.
Pai, e porque é que está muito frio? Só então dei conta que a argumentação que tinha utilizado para responder à primeira pergunta era tão frágil quanto os farrapos de neve que se desfaziam ao tocar o chão molhado. Por breves instantes não soube o que dizer. É claro que a ingenuidade da pergunta não alcançava a pertinente acusação que a mesma deixava perceber. Tive vontade de lhe contar a verdade – Sabes filho, nevar na Marinha não é natural. Mas sabes, isto é consequência do estilo de vida que uma minoria da humanidade, na qual eu me incluo, não abdica. É consequência de não queremos saber do dia de amanhã. É consequência dum consumismo desenfreado, dum conforto desmedido, da abundância em que queremos viver sem termos em conta que todos os recursos são finitos, do desrespeito pela natureza, pelos outros seres vivos. Sabes filho, eu não sei se te vou deixar um planeta em que consigas viver como eu tenho vivido, em que possas respirar, em que tenhas água para beber, em que tenhas árvores, peixes, aves, animais selvagens.
Naquele momento senti uma imensa culpa e um medo aterrador. Quantas vezes desperdicei água? Quantas vezes deixei as luzes acesas? O computador? A televisão? Quantos vezes não separei os lixos? Não reciclei? Não reaproveitei? Não poupei combustível? Quantas vezes? É num mundo que caminha para a destruição ambiental que queres que os teus filhos cresçam, vivam e sejam felizes?
Pai, podemos ir lá para fora?
É melhor não porque podemo-nos constipar
– respondi quase mecanicamente.
Oh pai, mas eu queria tanto...
Já disse que não. Vá, porta-te bem que eu depois compro-te um pacote de Sugus.